Thalassophilia” é um termo poético que descreve o amor ou fascínio pelo mar. Vem do grego: thalassa (θάλασσα), que significa “mar”, e philia (φιλία), que significa “amizade” ou “afeição”.
As artistas em residência convidam os visitantes a mergulhar na intersecção entre arte e ciência, explorando o mar como fonte de inspiração artística, conhecimento e experimentação sensorial.
Realizou-se no passado sábado um Open Studio no Templo da Inspiração, conduzido pelas artistas em residência Susana de Medeiros e Susana Soares Pinto.
Integrado no processo de investigação e criação da exposição Thalassophilia: Poéticas de Interdependência, o encontro abriu ao público o trabalho que as artistas têm vindo a desenvolver e que culminará numa exposição a apresentar no verão de 2026, no Faial e depois em Lisboa.
Através do Laboratório Thalassophilia, os participantes foram convidados a partilhar metodologias, referências e materiais que informam a investigação em curso, bem como a dialogar sobre algumas das questões centrais do projeto: o oceano como espaço de interdependência, as formas de vida híbridas, a sustentabilidade dos ecossistemas marinhos, a poluição dos mares e o papel ecológico e simbólico do Mar dos Sargaços.
Este momento de partilha permitiu aproximar do processo artístico em desenvolvimento, promovendo a reflexão coletiva em torno das relações entre arte, ciência e ambiente, e reforçando a missão da AvistaVulcão de tornar os processos de criação contemporânea acessíveis à comunidade através do seu programa de residências artísticas.
No âmbito da residência artística de investigação e criação de Susana de Medeiros e Susana Soares Pinto, a AvistaVulcão: A Casa da Missão recebeu os alunos do 3.º e 4.º anos da Escola Básica do Capelo para uma tarde de descoberta, experimentação e criação no Templo da Inspiração.
A visita teve início com uma apresentação do trabalho desenvolvido pelas artistas no contexto do projeto Thalassophilia: Poéticas de Interdependência, permitindo aos alunos conhecer algumas das questões que orientam a sua investigação sobre o oceano, os ecossistemas e as relações entre os seres vivos e o ambiente que habitam.
A partir desta reflexão, e acompanhados pela professora de Artes e de Estudo do Meio, os alunos foram convidados a explorar a floresta envolvente, observando atentamente os elementos que compõem a paisagem e recolhendo materiais naturais e vestígios da presença humana encontrados no solo. A atividade abriu espaço para uma conversa sobre o conceito de habitat, a biodiversidade da ilha, os impactos da poluição produzida pelo ser humano e a importância de adotarmos práticas mais conscientes para reduzir a nossa pegada ecológica.
Inspirados pela ideia de coexistência entre natureza e intervenção humana, os alunos imaginaram e construíram pequenos seres e objetos híbridos, combinando fragmentos naturais com materiais descartados. Através da criação artística, surgiram novas formas de vida ficcionais, adaptadas a um mundo em constante transformação, onde os limites entre o natural e o artificial se tornam cada vez mais complexos.
Num exercício coletivo de imaginação e criatividade, cada participante deu forma e identidade ao seu ser híbrido, atribuindo-lhe características e até um nome próprio. As criações foram depois reunidas numa pequena exposição coletiva, concebida pelos próprios alunos, transformando o espaço num território de invenção, reflexão e partilha.
A oficina proporcionou um encontro entre arte, ambiente e educação, incentivando a observação crítica do mundo que nos rodeia e demonstrando como a criação artística pode ser uma ferramenta para pensar os desafios ecológicos do presente e imaginar futuros possíveis.