Moran Been Noon é uma artista visual que cria instalações de imagens em movimento utilizando animação, material de arquivo, objetos esculturais e projeções não tradicionais. O seu trabalho incide sobre a vida pós-migração, examinando como os estudos etnográficos moldam o sentimento de pertença. No mesmo movimento investiga o envolvimento do corpo com o lugar, da cultura com a sociedade, concentrando-se nas narrativas dos migrantes e daqueles que permanecem nos seus países de origem. Interessa-se pela relação entre os locais folclóricos e o eu, e pelo desenvolvimento da migração como uma narrativa de «ficção potencial», refletindo o estado constante de perda percebido na migração de longo prazo.
"Durante a minha residência nos Açores quero explorar aspectos da relação da comunidade da ilha com a emigração que se seguiu à erupção do vulcão Capelinhos. Após anos a explorar histórias de migrações que duraram décadas, gerações, séculos e formaram identidades e narrativas folclóricas, sinto que o exemplo relativamente contemporâneo e rápido de migração significativa do Faial pode inspirar novas ideias. Espero aprender com as pessoas da comunidade que ficaram, espero aprender sobre a arquitectura e a forma como as casas se integram na paisagem, sobre os faróis, as histórias e as práticas que permaneceram após serem afetados pela erupção. Estou interessada na história que esta comunidade conta sobre si mesma e sobre a sua diáspora."
Resultado do Processo Criativo :
O trabalho desenvolvido por Moran Been Noon na residência artística propõe uma abordagem híbrida entre tecnologia, materialidade e performance. O projeto se estrutura em múltiplos dispositivos de exposição, cada um funcionando como um módulo sensorial e narrativo distinto.
O primeiro módulo é uma mini projeção, onde a artista aparece quase como um holograma, questionando a presença física e a representação digital do corpo. Outro dispositivo aproveita telemóveis em desuso transformados em microtelas que exibem imagens em movimento, cruzando registros da residência na ilha com experiências anteriores em Dublin e Bulgária, criando um mapa visual de memórias e deslocamentos.
Um novo dispositivo audiovisual combina imagens gravadas durante a residência na ilha com uma composição musical de um artista irlandês, criando uma narrativa sonora e visual que reforça a dimensão sensorial do território e do tempo da experiência.
A exploração de materiais naturais aparece em instalações com pedras de basalto e cordel queimado, sugerindo a relação entre elementos orgânicos e processos de destruição e transformação. Por fim, Moran Been Noon propõe uma instalação performativa que reproduz bombas vulcânicas através de partículas de farinha queimadas, culminando em um gesto participativo: as bombas podem ser degustadas ao final da apresentação, conectando público e obra de forma literal e simbólica.
O conjunto de dispositivos evidencia o rigor do processo criativo, articulando tecnologia, território, memória e performance, e reforça a potência da residência como espaço de experimentação e diálogo entre práticas artísticas, ciência dos materiais e experiência sensorial.