Durante três semanas, o espaço da Casa da Missão abre-se ao processo de escrita e investigação musical de um dos nomes mais singulares da canção contemporânea em Portugal.
Mazgani, nascido em Teerão no Irão em 1974 e a viver em Portugal desde 1980 é um músico com 6 discos editados em Portugal e que constrói uma obra marcada pela intensidade poética e pela atenção às palavras, ao silêncio e à dimensão emocional da canção.
Nesta residência, o artista dá continuidade ao processo de escrita do seu sétimo álbum de canções. Trata-se de um período de trabalho centrado na procura de inspiração e de refúgio num contexto de paisagem insular, onde a relação com o território e com as suas gentes assume um papel fundamental na criação.
O artista refere o seu interesse em procurar palavras que se tornaram obsoletas ou deslocadas do discurso contemporâneo, palavras como amor, perdão, caridade ou bondade. Não como gesto nostálgico, mas como forma de resistência e de esperança. Uma tentativa de reinscrever essas palavras num horizonte futuro, onde a medida humana possa ser encontrada na dignidade de pequenos gestos anónimos que sustentam a vida em comum.
A criação artística surge, para Mazgani, como uma peregrinação: uma viagem que transforma quem a faz e que implica também uma deslocação interior. Neste sentido, a integração no território não é apenas geográfica, mas profundamente humana e relacional, um movimento de escuta, aprendizagem e transformação mútua entre artista, paisagem e comunidade.
Nesta fase do seu percurso, o artista sublinha ainda a urgência de introduzir o “outro” e a “comunidade” no centro do diálogo cultural e humano. Mais do que um exercício conceptual, trata-se de uma necessidade vital: aprender a não ser opaco, a ser atravessado pelo encontro com os outros, e a descobrir formas mais suaves e conscientes de estar consigo próprio e com o mundo.
A residência na AvistaVulcão afirma-se assim como um espaço de criação e de abertura, onde escrita, escuta e território se cruzam na construção de um novo álbum e, possivelmente, de novas formas de ver e habitar a experiência humana.