6.
2025
Residência Artística - Criação musical
Mariana Camacho (Madeira)
Pesquisa para projeto de criação ILHAS UNIDAS
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Mariana Camacho (Funchal, 1993), música, cantora e criadora, move-se entre géneros, guiada pela urgência de explorar todas as formas possíveis de fazer música.

Desde 2019 apresenta-se a solo no circuito nacional independente, onde torce e funde influências musicais, impressões do mundo e o que mais houver, sem regras. Tem aprofundado a pesquisa e orienta oficinas em torno das cantigas de trabalho tradicionais, como ponto de partida para redescobrir potencialidades da voz enquanto elemento vivo, que habita lugares, reflete paisagens, que tem peso e corpo.

Nos últimos anos tem vindo a ganhar espaço na composição musical e interpretação, em peças de teatro e dança.

Está a preparar o seu primeiro album a solo a ser lançado em 2026

https://www.marianabcamacho.com/

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A partir da pergunta “Como se canta enquanto se trabalha?”, durante a sua residência, a artista madeirense recolheu e re-interpretou modas do cancioneiro açoriano, resgatando a sabedoria e o canto das gerações passadas. Interessa-lhe investigar a ligação entre meio, movimento e som, explorando a memória coletiva inscrita nas canções populares e o modo como estas continuam a ecoar na vida contemporânea.

Depois desta período de recolha imersiva, a artista irá compor temas originais inspirados pela vivência no território, fundindo paisagem, corpo e voz num só gesto artístico.

"Interessa-me investigar a relação entre a paisagem (meio), o corpo (movimento) e a voz (canto) no ato simultâneo de trabalhar e cantar. Como é que o meio e a tarefa influenciam o movimento do corpo e como é que este impacta a forma de cantar? Que melodias surgem, que ritmos? Que alcance tem a voz, de onde vem, para onde vai? Que palavras se lançam na melodia? Que pesos físicos e simbólicos estão implicados na vida de quem trabalha e canta e de que forma se expressam na canção? "

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Mariana Camacho na Casa da Missão

A residência da artista madeirense Mariana Camacho está integrada no projecto "ILHAS UNIDAS"

Os arquipélagos, muitas vezes vistos como geografias isoladas, são na verdade constelações vivas de memória, cultura e resistência. Cada ilha guarda uma identidade própria, mas todas compartilham uma linguagem comum: a da insularidade — feita de silêncio, vento, marés e, sobretudo, de vozes. Os cantos insulares, nascidos do trabalho, da saudade, da celebração ou da dor, atravessam o tempo e aproximam comunidades que, embora distantes no mapa, reconhecem-se mutuamente no som que ecoa das suas margens.

Criar pontes entre arquipélagos é afirmar que há muito mais a unir do que a separar. É permitir que as histórias cantadas em vozes açorianas dialoguem com as melodias da Madeira ou de outras ilhas espalhadas pelo mundo. É escutar o que há de ancestral e de novo nessas vozes e compreender que a insularidade não é isolamento — é profundidade.

Num mundo cada vez mais acelerado e fragmentado, escutar e fazer circular estes cantos — e os artistas que os recolhem, reinventam e partilham — é um gesto de cuidado e de conexão. Fortalecer os laços entre arquipélagos é também fortalecer um imaginário coletivo insular, que ultrapassa fronteiras e propõe uma visão do mundo onde a cultura nasce da escuta, da relação e do ritmo natural da vida.

Assim, ao criar pontes entre ilhas, criamos também caminhos para o futuro — onde a arte, a voz e a memória continuam a navegar juntas.

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OFICINA CRIATIVA COM A ESCOLA EBI-JI CAPELO E PRAIA DO NORTE

Mariana Camacho também dinamizou uma oficina com as crianças da escola primária do Capelo e Praia do Norte, onde apresentou canções originais e orientou uma atividade interativa que combinou voz, movimento e expressão corporal. Ao longo da oficina, as crianças foram incentivadas a usar a voz e o corpo como instrumentos criativos, experimentando sons, ritmos e gestos em dinâmicas de grupo.

Foi oportunidade para artista de promover o desenvolvimento da criatividade, da imaginação e da inteligência sensorial das crianças. Ao explorar diferentes formas de expressão sonora e corporal, as crianças aprendem a perceber e a reagir ao mundo através dos sentidos, desenvolvendo uma maior consciência do próprio corpo, da escuta ativa e da interação com os outros.

A oficina revelou-se um espaço de descoberta artística e de estímulo ao pensamento criativo, tão essencial para o desenvolvimento integral na infância.

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