Variações sobre Inquietação: as residências artísticas.
Após ter realizado a sua primeira residência artística de investigação na Casa da Missão, em junho de 2025, a artista regressa ao Capelo em Abril 2026, desta vez acompanhada pelos seus parceiros de eleição: o músico Luís J.Martins e o cineasta Daniel Costa Neves.
Nesta nova etapa, a presença conjunta propõe um cruzamento sensível entre som, imagem e experiência performativa, explorando territórios de criação que se estendem para além da disciplina individual. Uma oportunidade de observar o processo artístico em movimento, onde cada gesto e cada nota se tornam parte de uma paisagem coletiva em constante transformação.
Joana Sá, Luis Martins e Daniel Costa Neves permanecem em residência artística no Capelo, dando continuidade ao projeto Variações Sobre Inquietação - Corpo Território. Nesta fase, o trabalho concentra-se na exploração sensível e detalhada do território, com especial atenção à identificação e captação de locais naturais singulares que poderão funcionar como cenografias orgânicas para a obra final.
O percurso de pesquisa de campo percorre paisagens distintas, do coração da Serra da Estrela aos territórios insulares dos Açores, privilegiando a observação direta e a escuta do ambiente natural. Esta investigação será o ponto de partida para a criação de uma obra híbrida, que integrará uma performance ao vivo, uma instalação video e a edição de um livro, cada uma delas dialogando com a especificidade dos lugares e das experiências sensoriais ali vividas.
O projeto propõe-se, assim, a refletir sobre a relação entre inquietação, território e presença, explorando como o corpo, a imagem e a palavra podem coabitar e transformar-se em resposta aos lugares que atravessam. Em cada intervenção, o encontro com a natureza não é apenas cenário, mas agente ativo da dramaturgia e da narrativa artística.
Variações sobre Inquietação: a performance ao vivo.
Enraizada na geologia eruptiva dos Açores, “Variações sobre Inquietação” é uma performance-instalação que propõe escutar o planeta como um corpo vivo e instável. A obra investiga a “inquietação” em múltiplas dimensões — planetária, corporal e relacional — explorando territórios vibracionais, tectónicos e imaginativos.
Desenvolvida a partir de gravações de campo em São Miguel e Faial, residências artísticas e processos colaborativos, a peça integra também a memória do incêndio de 2025 que devastou a Serra da Estrela, incluindo a aldeia natal da artista. O piano deixa de ser apenas instrumento sonoro e transforma-se num dispositivo de captação: uma superfície sensível que responde a forças subterrâneas e invisíveis.
Esta performance constitui a primeira fase de um projeto em expansão e é um convite a perceber a inquietação do planeta, a sentir as suas vibrações e a abrir-se a outros possíveis desfechos.
Oficina de experimentação sonora:
Durante a sua residência artística, Joana Sá dinamizou uma oficina com músicos da Filarmónica "Artista Faialense", propondo novas experiências sonoras a partir dos seus instrumentos, tocando de forma inusitada. A experiência transformou o espaço de prática habitual em laboratório sonoro, incentivando a improvisação, a descoberta e o diálogo entre artistas. O resultado foi surpreendente e abriu novas possibilidades de colaboração futura, reforçando a potência de projetos que conectam tradição e experimentação.