68.º Aniversário da Erupção do Vulcão dos Capelinhos - 27 de Setembro 2025
Roteiro Cultural pelo Trilho dos Baleeiros
O programa este ano teve como foco a história da Armação Baleeira do Porto do Comprido, relembrando e renovando as memórias dos baleeiros e suas famílias, vindas de várias ilhas dos Açores, que ali viveram e trabalharam até 1957, pouco antes da erupção que transformou para sempre esta paisagem.
Inspirados por esta transumância insular os participantes embarcaram num roteiro cultural a pé, seguindo o Trilho dos Baleeiros, que se inicia na Vigia do Costado da Nau e termina na Casa dos Botes. Ao longo do percurso, decorreram instalações artísticas, concertos, projeção de filmes e exposições.
Entre os destaques deste ano:
Construções, Instalações e performance artísticas do coletivo belga TIMECIRCUS
A presença da Fanfarra Artista Faialense, que acompanhará todo o percurso do trilho
Um concerto de cordas no Farol dos Capelinhos, com a estreia mundial da peça “Whale Suite”, composta por Florence Henry e Saar Van de Lest, em colaboração com músicos do Conservatório Regional da Horta;
A divulgação do livro "Capelinhos: Fotobiografia de um Vulcão", com imagens de Luís Decq Mota e José Agostinho;
A projeção do filme icónico "Os Homens da Baleia" de Mário Ruspoli, filmado em 1956, que retrata o quotidiano da Armação Baleeira antes da erupção, seguido de conversa popular.
E ainda uma exposição na Casa dos Botes, caldo de peixe, petiscos e baile para encerrar a celebração.
Celebrar a histórica Armação Baleeira do Porto do Comprido.
"O Porto Baleeiro dos Capelinhos situado no extremo oeste do Faial, foi durante décadas um ponto vital para a caça à baleia nos Açores. Protegido por falésias e formado por uma antiga escoada lávica, este porto abrigava mais de 200 pessoas nos meses de Primavera e Verão, vindos de várias ilhas, um caso único nos Açores de transumância insular, com 21 botes, 7 lanchas, casas de apoio, armazéns e até um botequim.
A Armação Baleeira foi ativa entre 1884 e 1957, ano em que o vulcão entrou em erupção e forçou o abandono abrupto do local. Desde então, muitas destas memórias ficaram soterradas sob as cinzas do vulcão." in Casa dos Botes, Capelo
No dia 27 de Setembro de 2025 a vigia do Costado da Nau renasceu das cinzas pelas mãos dos artistas em residência TIMECIRCUS.
ANATOMIA DE UMA VIGIA DA BALEIA EM MOVIMENTO
No dia 27 de Setembro de 2025 à tarde, data de aniversário do Vulcão dos Capelinhos, mais de uma centena de pessoas juntaram-se para transportar uma réplica da mítica Vigia da Baleia do Costado da Nau que teve de sair do seu lugar para não mais voltar devido à erupção submarina dos Capelinhos.
68 anos depois a Vigia da Baleia regressou ao seu lugar transportada pelos filhos simbólicos desses baleeiros açorianos, num acto colectivo agregador da comunidade de grande simbolismo. O colectivo TimeCircus que construiu a estrutura não queria que se a visse já no seu lugar final mas sim que a população e os participantes se sentissem envolvidos e implicados, em conjunto, pela sua recolocação. Nesse movimento, no qual tivemos de nos cansar e de nos esforçar para a transportar com as próprias mãos, cada um pôde criar uma relação pessoal com a nova Vigia da Baleia.
ironicamente tinha sido a partir desta Vigia, lá no alto onde a ilha acabava, que se tinha avistado o primeiro borbulhar no mar de um novo Vulcão a nascer...
Uma produção da AvistaVulcão: A Casa da Missão com o colectivo TimeCircus e Artista Faialense em BALEIA VULCÃO | Festa de Aniversário Vulcão dos Capelinhos | Roteiro Cultural | 27 Setembro 2025.
Parceiros Freguesia Do Capelo, Ambiente Açores Cultura Açores, Azores Geopark, Parque Natural da Ilha do Faial, Amigos do Farol dos Capelinhos
Imagens Still de Florian Fischer e Gonçalo Tocha, powered by Behind the Mask
Inaugurada a nova Vigia da Baleia do Costado da Nau, continuámos o percurso até ao Farol dos Capelinhos, onde podemos ouvir a estreia mundial da peça "Whale Suite" composta por Saar Van de Leest e Florence Henry e interpretada pelos músicos do Conservatório Regional da Horta, Cláudio Cruz, Ana Maria Rosa e Ema Gonçalves. O deck do Farol ficou cheio, o contrabaixo, o vilolenclo, o saxofone e a sonoplastia aquática envolvia o público ao mesmo tempo que o colectivo TimeCircus com as suas surpreendentes instalações artísticas - feitas unicamente com materiais locais recolhidos no Capelo - servia comida - diz-se que era carne de baleia!
No Centro de Interpretação ofereceu-se o bolo de aniversário antecedido por um discurso emotivo da Diretora Regional do Ambiente, Drª Ana Cristina Rodrigues.
A Fanfarra Artista Faialense reiniciou o percurso, cruzou a paisagem do vulcão como um eco hipnótico das memórias baleeiras ao mesmo tempo que 4 pessoas os enquadravam com uma lona fotográfica da explosão do Vulcão dos Capelinhos.
Na memória fica a interpretação da Fanfarra do tema "A morte do arpoador" que surge no filme "Os Homens da Baleia", filmado em 1956 com os baleeiros do Comprido e que foi exibido na Casa dos Botes, numa sala completamente cheia. No debate falou João C.Pinheiro, filho de baleeiro, José Deck Mota, Luis Bicudo e Filipe Porteiro.
Fora da casa dos Botes o bar já servia bifanas, confeccionadas pela Liseta Furtado, já servia o afamado Caldo de Peixe, confeccionado por Vitor Mota, e as cervejas e o vinho da terra rolava entre todos.
Os baleeiros, que corajosamente carregaram a vigia nos braços, podiam finalmente descansar e bailar.
A filarmónica sentava-se e, pela primeira vez na história - diz-se - tocava uma Chamarrita com sopros e metais! O baile foi mandado pelo Vitor Borges e familia e continuou pela noite fora numa discoteca montada na cinza do vulcão, com o barco Maria da Conceição a servir de cabine ao leme doa DJs Doski e Rubi Tocha.
A Aldeia Baleeira do Comprido voltou a viver, nem que seja só por um dia!
Domingo 12 de Outubro, na AvistaVulcão: A Casa da Missão também decorreu a projeção das imagens da procissão da nova vigia da baleia do Costado da Nau.
Projeção video em continuo das 13h as 20h, na Video-Tasca da Casa da Missão (a nossa antiga garagem carro de boi renovada em Black Box!)
É só estacionar o carro e entrar! Um aperitivo foi servido.
AVISTAR
A vontade dos artistas de criar uma estrutura móvel não é apenas uma escolha estética: é uma homenagem viva à tradição da nossa própria comunidade. Antigamente, as estruturas de vigia eram montadas e desmontadas todos os anos, erguidas apenas durante a época da caça. Ao recuperar essa lógica de construção temporária e itinerante, o projeto estabelece uma ponte entre memória e criação contemporânea.
Para o coletivo belga Timecircus, esta abordagem faz também parte de um percurso já longo de trabalho comunitário desenvolvido em vários países — Bulgária, Grécia, Bélgica, França — onde se tornou quase uma tradição construir estruturas ambulantes movidas exclusivamente pela força humana.
No caso da nova Vigia da Baleia do Costado da Nau dos Capelinhos, a ideia nasceu há três anos, de um sonho partilhado entre o Timecircus e o Avistavulcão ao imaginarem juntos o projeto AVISTAR. Hoje, com a instalação Baleia Vulcão, concretiza-se o primeiro passo desse sonho maior — um percurso que continuará com novas réplicas na ilha do Pico e em São Jorge.
Agradecemos a todos os que acreditaram que tal performança artística coletiva era possível; a todos os que participaram na construção da instalação; a todos os que ajudaram com força física e moral a carregar a vigia até ao topo do costado da nau; e a todos os que permitiram celebrarmos juntos este evento popular e coletivo e especialmente ao coletivo TimeCircus que tornaram o sonho realidade : Sebaastian, Zoe, Tom, Griet, Bram, Sig, Dayo, Saar, David, Gaelle e Florence.
Até para o ano!